Pavie e seu tempo

 

O médico Afonso Pavie foi notável não somente pelo talento e atenção que dedicava aos seus pacientes. Surpreendentemente, apesar das dificuldades encontradas pelo transporte de aparatos médicos e compostos químicos da França para Itamarandiba, ele utilizava em seus tratamentos as mais recentes técnicas descobertas e difundidas na Europa, como o elemento rádio, descoberto em 1898 por Marie Curie e hoje amplamente utilizado no tratamento de câncer. 

Em 1911, encontramos em Itamarandiba a mais avançada técnica médica da época: recursos para esterilização, química de sangue, hematologia, bacteriologia e sorologia para sífilis, tifo e paratifo A e B, anatomia patológica (microscópio e micrótomo) e dispositivo para fotomicrografia. Anexo ao laboratório, existia um biotério com cobaias, coelhos e carneiros para inoculações e obtenção de hemácias de carneiro, soro fresco de cobaia (alexina ou complemento) e anti-soro de coelho às hemácias de carneiro a serem usados na reação de Wassermann. Os extratos de antígenos para essa reação eram fornecidos trimestralmente pelo Instituto Pasteur de Paris.

 (Foto: a cientista Marie Curie em seu laboratório).

Assim como ele, grandes nomes da medicina brasileira e mundial realizaram suas maiores descobertas nessa época. 

Por ele era realizada a pesquisa do Plasmodium no sangue (denominado por Pavie de Laveran, o nome do médico francês que, em 1880, demonstrou a presença do agente etiológico da malária no sangue) e do Trypanosoma cruzi (Pavie denominava-o pelo nome inicialmente usado de Schizotrypan Chagas) apenas dois anos depois da sua identificação por Carlos Chagas na cidade mineira de Lassance. Seu laboratório foi premiado em 1922 com medalha de bronze na Feira Internacional comemorativa do Centenário da Independência do Brasil.

 ( Foto: Carlos Chagas)

Outros nomes da medicina moderna, assim como ele, obtiveram êxito nos anos de 1910 - 1930: o imunologista Vital Brazil, descobridor do soro antiofídico; o psiquiatra Galba Velloso e os médicos Raul Soares e Hermenegildo Villaça ainda serão lembrados no futuro graças às pesquisas e inovações nos tratamentos realizados numa época onde a tecnologia e a comunicação não eram disponíveis para todos. 

 Na farmácia do dr. Pavie, chamada de botica, ele fabricava medicamentos, soros, vacinas, soluções para tratamento de tuberculose, ampolas, comprimidos e cápsulas que eram embalados em material importado da França e transportado por animais pelos rincões de Minas Gerais até chegar a Itamarandiba.  (Foto: Propaganda do laboratório Affonso Ulrik, mais conhecido como dr. Afonso Pavie)

 

As grandes inovações que cotidianamente vemos no presente e que os cientistas planejam para o futuro só são possíveis graças às pessoas que, como Pavie, seguiram seu espírito pesquisador e proporcionaram a difusão do seu cohecimento, transofrmando suas descobertas em inúmeros benefícios. 

 

 

 

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